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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

INVOCAÇÃO DO MAL 2 (The Conjuring 2, 2016)


EXAGERADO, RIDÍCULO, PREVISÍVEL E, POR FIM, CANSATIVO.

país produtor: Estados Unidos da América
direção: James Wan
elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Madison Wolfe

sinopse: Mais uma vez o casal Lorraine e Ed Warren lutam contra forças demoníacas que atormentam uma família.

Metascore: 65 (metacritic.com)

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Lembro-me muito bem quando fui a um cinema de Brasília assistir ao primeiro Invocação do Mal. Lembro-me dos sustos, do frenesi nas cadeiras, das coisas boas que um bom filme de terror proporciona: diversão à base de nossos medos e limitações para lidarmos com o sobrenatural, mesmo que no faz de conta de uma tela de cinema.

Filme bom de terror é assim: tem que ter jump scare, tem que ter sustos e, é claro, isso envolve uma boa dose de clichês que são reprocessados. A casa mal assombrada, crianças, portas entreabertas, escuridão. O mais importante em um bom filme de terror é o que não está na tela, o que a câmera não mostra e a gente antecipa e imagina. Tudo isso havia no primeiro Invocação do Mal, um inesperado sucesso de bilheteria em 2013.

O início dessa continuação, filmada pelo mesmo diretor, é bastante promissor. A primeira cena me deu um arrepio que percorreu todo o meu corpo até os pelos do dedão do pé. E nisso vale uma informação importante: vi essa continuação com fones de ouvido, com os olhos em uma tela de 27 polegadas. Estar imerso e atento é muito importante em um filme de terror ou suspense. Se houver dispersão, não há como avaliar com justiça os méritos da obra.

Mas, continuando, Invocação do Mal 2 não tem pudores de se mostrar como uma sequência. Aparentemente, tudo estava bem parecido com o que vi no primeiro. Ok, mas então, por que dessa vez a cada novo susto, a cada porta que se abria, a cada móvel que se arrastava, a cada aparição demoníaca, eu aos poucos fui me sentindo enfadado? O que deu errado a ponto de o medo se transformar em riso em determinados momentos?

Resposta, o exagero.

Os melhores filmes do gênero terror são os que aliam os sustos e clichês com a suspeição, sugerindo o sobrenatural. Por isso, foi especialmente difícil pra mim não esboçar incredulidade e riso diante de algumas cenas, como quando um cachorro se transforma em uma entidade demoníaca (totalmente desnecessária para a trama, diga-se de passagem); ou quando uma outra entidade até então aparecendo somente através de uma pintura na parede, se funde a esse quadro e avança sobre a personagem de Vera Farmiga.

Me deu saudade de A Bruxa (2016), um filme que, a despeito de seus problemas (que já analisei aqui), é muito mais perturbador do que esse passatempo infanto-juvenil. Pois é isso: infelizmente, Invocação do Mal 2 foca em um público afoito e menos propenso a uma trama que invista no terror psicológico. Estratégia bem sucedida, diga-se de passagem, pois sua bilheteria só na semana de abertura já pagou os custos de produção.

Dado o cenário atual, nada de surpresas quanto ao sucesso comercial. O que me espanta é a crítica ter sido tão complacente com esse embuste.

Por enquanto, o pior filme que vi esse ano.

Visto em outubro de 2016, em arquivo digital.

domingo, 1 de maio de 2016

A BRUXA (The Wicht - A New England Folktale, 2015)


TEM QUALIDADES, MAS É UM FILME DE TERROR QUE NÃO PROVOCA MEDO.

país produtor: Estados Unidos da América, Brasil, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte // direção: Robert Rodgers // elenco: Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw

sinopse: Uma família de colonos ingleses recém chegados aos Estados Unidos é expulsa da comunidade em que vivia e se estabelece à margem de uma floresta que acreditam ser habitada por uma bruxa.

Metascore: 83 (from metacritic.com)

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Fazia tempo eu não via um filme que dividisse tanto o público. De um lado, os mais casuais e que se interessam por um cinema de puro entretenimento. Do outro, os mais intelectualizados e com um gosto por filmes mais artísticos. No meio, um simples conto de horror narrado sem os clichês típicos do gênero.

Também, pudera. Não há em A Bruxa qualquer concessão. A fotografia é propositadamente escura. A história é contada de forma lenta. O horror não é explícito.

Parênteses: Eis um típico filme que deve ter sido um tormento assistir em uma sala de cinema. Se já sofro com a má educação do público em filmes blockbusters, fico imaginando o que eu não passaria vendo no cinema uma obra como essa, repleta de silêncios e pouca ação. Ainda bem que assisti A Bruxa no conforto do meu quarto.

A falta de concessões é tamanha que um dos aspectos mais interessantes de A Bruxa é apenas revelado em seus créditos finais. Seu roteiro é baseado em relatos e contos históricos, a partir de diários e documentos judiciais. Sendo irônico, posso afirmar que se o diretor e roteirista tivesse colocado a informação "baseado em fatos reais" bem no início, a audiência casual teria se interessado mais pelo filme.


E quanto ao medo? Afinal, quem vai ver um filme de terror quer isso, sentir medo. A Bruxa é um filme bem sucedido nesse quesito? Tenho minhas dúvidas.

Li e vi gente falando que ficou arrepiada, mas eu particularmente, passei incólume. Infelizmente o diretor, dotado de grande talento estético, não soube implantar o medo em mim. E bons momentos para isso não faltaram, todos mal aproveitados. Filme de terror que não mete medo é a mesma coisa que comédia que não faz rir. É frustrante.

O terror em A Bruxa não é audiovisual mas psicológico. Igual a O Bebê de Rosemary (1968). Tem seu valor, mas eu adoro aquela sensação de medo e a velha e defensiva tática de racionalizar, dizendo para mim mesmo que "isso é só um filme". Assistir um bom filme de terror é sempre uma experiência incrível. Pena que esse gênero é tão carente de grandes talentos.

Por tudo isso, entendo as críticas negativas do público casual, apesar de não concordar com notas baixíssimas e exageros como "o pior filme que assisti". A Bruxa é um filme com qualidades (direção de arte e música principalmente) mas que sofre com a mão pesada de um diretor que não soube valorizar o fator entretenimento.

Visto em arquivo digital em 2016.